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20º postal - Olá, falas cassubiano?

Escrito por 6.8.18

Kaszuby, maio 2018

Sonhamos sobre países distantes. Desejamos tudo o que nos parece exótico, diferente. Imaginamo-nos nas praias paradisíacas com ananás para o pequeno almoço e coco para o jantar...

Dei conta que quando mais longe viajo, menos interessada estou no meu próprio país. O país grande, bonito e com muita riqueza cultural. Por esta razão a partir deste ano acima de tudo começamos a conheçer a Polónia.

Kaszuby é uma região fantástica para aqueles que gostam de observar o mundo a andar de bicicleta. Várias reservas naturais, poucas cidades e a proximidade do mar fazem que apesar de bicicleta e uma tenda não se precisa nada mais para ser feliz. 

Pouco se sabe que cassubianos... não falam polaco. Bem, sabem língua polaca e falam-na fluentemente, mas a língua nativa deles é língua cassubiana/cassúbia - o único dos antigos dialectos eslavos da Pomerânia que sobreviveu. O cassubiano antigamente era chamado só de dialecto, mas desde 2005, é oficialmente considerado língua regional, que se ensina nas escolas cassubianas e até leciona na universidade. O cassubiano é quase incompreensível para mim - e portanto parece tão intrigante. 

Para estes que aprendem ou falam polaco uma avnentura interessante pode ser ouvir Radio Kaszëbë, o radio mais popular em cassubiano: http://radiokaszebe.pl/godome-po-kaszebsku/ 

Divirtam-se!

18º postal – Comer caracóis não é nada fácil

Escrito por 5.1.18

Portugal 2016

Foi a primeira vez quando comi caracóis. 

Ao início eles olharam para mim com um sofrimento grande pintado nos seus rostos. Antes até não suspeitava que eles podem ter a qualquer expressão facial. Mas tiveram. A tristeza avassaladora estava a distorcer os seus lábios... Pela minha cabeça passou uma grande vontade de fugir. Escapar pareceu a única solução desta situação.

Mas fugir sem provar caracóis? Só porque eles estão a olhar para mim? Fechei os olhos, tentei imaginar o mar com todas as paisagens bonitas deste Verão em Portugal. 

O sabor estava dominado por sal. E por nada mais, porque o corpo dum único caracól é tão pequeninho que é realmente difícil distingui-lo enquanto se come. Apesar disso, a usar um palito, muito corajosamente e nem menos persistentemente estava a remover moluscos de cascas. As pessoas chegaram ao restaurante e sairam dele, devorando os pratos de caracóis em 3 minutos. Eu acabei comer depois de 30 minutos.

Na verdede, esta foi uma refeição muito emocionante.

17º postal - As luzes de Viena

Escrito por 21.12.17

Viena, dezembro 2011 

Ouvi que Viena em dezembro é uma das cidades mais iluminadas na Europa. Talvez – não tenho uma experiência tão grande que me deixaria comparar Viena com muitos outros lugares nesta época de ano.  Mas o mercado de Natal lá é realmente bonito. Embora quase nunca compro coisas nesses tipos de mercados, às vezes gosto de visitá-los. E vê-los, pelo menos na internet (por exemplo olhem aqui). E vocês? Gostam? 

Feliz Natal e muitas prendas bonitas!

16º postal – O Mar

Escrito por 1.12.17

Portugal 2009

É uma das primeiras impressões de Portugal. O Mar que, de verdade não é um mar qualquer – é um oceano infinito, ou seja, tem o seu fim, mas ele fica tão longe como só pode ficar o lado oposto duma quinta parte do mundo. 

Não sou uma pessoa apaixonada pela água – se pudesse, a maioria do meu tempo passaria nas montanhas. Mas há lugares e momentos inesquecíveis por causa das emoções que os acompanham. Especialmente lá, onde se experimenta a vastidão do espaço ou dos fenómenos. Paradoxalmente, lembrar-se de quão frágil e pequeno é um homem não sobrecarrega, todavia ajuda a aproveitar o facto da existência. 

A toda aventura com Portugal começou à beira do mar. 

15º postal – Alfabetos

Escrito por 21.11.17

Armênia 2014

Não há acordo sobre a quantidade de línguas que se fala no mundo. Uns dizem que existem 6 mil delas, outros – que 7 mil. Esta diferença aparece porque não existem nenhumas regras rigorosas e universais que deixassem distinguir precisamente uma língua própria de um dialecto. Aliás, elas não podem existir – a linguística não é uma ciência assim como por exemplo a matemática. Trata-se de um “organismo vivo” que se desenvolve constantemente e muda-se muitas vezes de uma maneira difícil de prever.

A coisa mais fácil é contar alfabetos. No entanto, deve-se lembrar que a palavra “alfabeto” significa menos do que nós normalmente expectamos. O alfabeto é um sistema de escrita, que usa letras para marcar – mais ou menos – os mínimos segmentos de uma palavra. Neste sentido escrita ideográfica ou escrita silábica não são alfabetos. Mas, mesmo que queiramos contar todas das maneiras de apresentar um discurso num papel, também isso seria mais fácil do que fazer o mesmo com línguas.

O alfabeto arménio foi idealizado no século V e parece como padrões de roupas ou vermes pequeninos, que estão a ir a direções diferentes. Para alguém que o vê pela primeira vez ele é difícil para memorizar. Felizmente ás vezes alguns textos arménios são traduzidos por outro alfabeto.

14º postal – Salkantay trek

Escrito por 12.11.17

Peru 2016

Machu Picchu é um dos símbolos da America do Sul – quase todos que decidam visitar este continente pensam o que podem fazer para verem a santa cidade dos Inkas, mesmo que devam atravessar a America toda para atingir o seu objectivo.

Há várias possibilidades para subir à maior atração do Peru – uma delas chama-se Salkantay trek. Não se precisa de ter nenhuma autorização para fazer este caminho, nem guia local ao seu lado, nem carteira grande com dinheiro – o que não é tão óbvio no negócio lucrativo que se chama Machu Picchu. Aqui, felizmente, basta uma tenda, uma aclimatação para altitude e depois de 4–5 dias chega-se ás Aguas Calientes. 

Salkantay trek junta uma caminhada em condições de alta altitude (o ponto mais alto é Abra Salkantay, 4 640 msnm) com um passeio pela floresta tropical. Por isso não há necessidade de estar nos Andes por muito tempo para conhecer basicamente a especificidade desta cordilheira. 

13º postal - Acampamento

Escrito por 3.11.17

Grécia, o monte Olimpo, 2015 

O pior é o momento de levantar-se muito cedo, quando ainda está frio, às vezes escuro e a última coisa que se quer fazer é sair do saco de dormir. Deixar a “zona de conforto” para ficar confrontado com um ar demasiado fresco exige uma força de vontade muito forte, mas vale a pena fazer tanto esforço.

Gosto de dormir em hotéis – são tão bonitos, modernos. Têm água quente, mais instalações do que eu preciso, bom serviço e pequenos-almoços saborosos. Contudo quando tenho que fazer a escolha entre um hotel e uma tenda, a tenda quase sempre ganha. 

Acampamento é um dos sinônimos da liberdade. A liberdade cheira a natureza, a possibilidade de ficar por uma noite num lugar qualquer. O rio, do qual se tira água para cozinhar e para lavar os dentes. O amanhecer e o anoitecer. O vinho bebido de um copo de lata. O prazer sem necessidade de pagar por ela. São momentos raros numa vida cheia de obrigações. 

Por isso mesmo gosto de acampar.

12º postal – À boleia

Escrito por 26.9.17

É uma forma de viajar muito simples. Basta ficar ao lado de estrada, ter confiança noutra pessoa e tentar apanhar o carro que está a passar. Ainda vale a pena conseguir comunicar minimamente.

Lembro-me muito bem de um guia turístico da Turquia: o livro grosso, cheio de imagens e informações sobre comida turca, que incluía também um dicionário polaco-turco. Era muito pesado – este facto importava-nos porque viajamos durante cinco semanas com todas as nossas coisas às costas. Felizmente, rapidamente descobrimos que o dicionário é fantástico para aqueles que descansam à beira mar nos resorts, não para nós, e pudemos rejeitá-lo com alívio. Infelizmente, tivemos que coletar palavras úteis para a nossa viagem mais uma vez. 

Desde então, quando vou para qualquer lugar só à boleia, preparo sempre uma lista de frases úteis para esta forma de movimento, como: Vamos de... a...; É grátis?; Podemos acampar aqui?; Temos a tenda; Somos polacos; Sou professora; Turquia, Armênia, Georgia, Portugal, (outro país)... é lindo!, numerais e outras palavras como sim, não, ontem, hoje, amanhã, dia, semana, dormir, comer, visitar. Apesar disso, sempre, sei dizer bom dia, obrigada e adeus. 

Não se precisa de muito, mas o conhecimento pelo menos de 10 palavras não apenas pode ajudar, mas também passar o tempo agradavelmente.

11º postal – Estrada Transfăgărășan

Escrito por 5.9.17

Romênia, setembro 2015

Foi constrúida no 1974 ano e passa entre Moldovenau e Negoiu, as duas montanhas mais altas da Romênia. O topo da Estrada Transfăgărășan fica nos 2034 metros, o que faz dela a segunda mais alta estrada asfalta neste país. Lá está localizado o túnel mais longo da Romênia. Mas há mais factos encorajadores para visitar este lugar e andar de bicicleta 90 km de curvas. 

A Estrada Transfăgărășan é chamada uma das mais bonitas estradas do mundo. E, na verdade, é. Andar para cima de bicicleta é a melhor forma de admirar a paisagem. Sobe-se durante tanto tempo (especialmente com os alforges com todo o equipamento de duas semanas), que não dá para apreciar a beleza dela. Vai-se um ou dois dias – dependente da condição física e do tempo. Nós tivemos que ficar no topo durante a noite (há lá 4 abrigos) por causa da tempestade. Valeu a pena fazer uma pausa. As vistas depois da chuva foram inesquecível.
Um conselho: a Estrada Transfăgărășan é muito popular, também entre motociclistas, especialmente durante os fins de semana. Portanto vale a pena planear ir lá num dia que não seja o sábado ou domingo. 

10º postal - Campo de’ Fiori

Escrito por 24.7.17



Roma, dezembro 2015

Justamente aqui, nesta praça, 
Foi queimado Giordano Bruno. 
O carrasco acendeu a fogueira 
No meio da gente curiosa. 
E mal o lume se apagou, 
Tornaram a encher-se as tabernas, 
Os cabazes de limões e azeitonas 
De novo à cabeça dos feirantes.  

(Campo di Fiori. Tradução
em: Alguns gostam de poesia.
Czesław Miłosz i Wisława Szymborska. Antologia. Lisboa 2004)
 

Sabia que quando chegar a Roma, certamente visitarei o Campo de´ Fiori. Para os polacos é uma praça conhecida não só pelo incidente, que ocorreu no ano 1600 (Giordano Bruno foi lá queimado por “heresias” que pregava – por exemplo por confiar em Nicolau Copérnico, que a Terra gira em torno do Sol).  

Campo de´ Fiori foi também mencionado num dos poemas mais famosos escritos por Czesław Miłosz, o escritor polaco de 1980 ano. O poeta na sua obra compara duas situações semelhantes: uma de século XVII em Roma com outra de ano 1943. Neste ano tinha lugar o levante do Gueto de Varsóvia, cujos resultados eram liquidação do gueto e o assassinato de seus 56000 habitantes judeus. O esquema era igual: aqueles que não sofriam não pagavam a atenção mínima para aqueles que sofriam errado.  

Quando se sabe o poema Campo di Fiori, o monumento de Giordano Bruno em Roma assume um novo significado.


*** O artigo interessante sobre Czesław Miłosz na tradução luso-brasileira podem encontrar aqui (link).
E o outro, em polaco, é uma entrevista com Czesław Miłosz e Marek Edelman (o doutor judeus que sobreviveu o levante) sobre insensibilidade durante a guerra aqui (link) (p. 4).


9º postal – Como mastigar coca?

Escrito por 23.6.17
Bolívia, Peru 2016

Como mastigar coca? Pôr as folhas na boca e começar a mastigar – é simples, não é?

É! Mas embora seja apenas um mastigar inocente, sempre desperta muitas emoções. Associações com cocaína são tão fortes que muitas vezes não há a certeza quem está mais envergonhado quando se fala sobre coca: aquele que a provou ou aquele que só está a ouvir isso. Na Europa. 

Nos Andes é estranho não mastigar coca, a planta que nesta área  cujas condições são específicas  ajuda em sobreviver. Como? Em primeiro lugar, dilui o sangue. Portanto nas altitudes de 4–5 mil metros literalmente pode salvar a vida. Em segundo lugar, coca é rica em micronutrientes como cálcio ou fósforo. Esta planta desde séculos tem inchando a barriga dos Índios, matando a fome. 


Enquanto estar na Bolívia vale a pena visitar o Museo de la Coca, que fica no centro de La Paz. Num espaço pequeno está explicada toda a historia de coca desde o início até aos dias de hoje, quando em varios países a planta dos Incas tornou-se um assunto proibido.   

8º postal - Lagos desparecidos

Escrito por 22.5.17

Georgia, Ananuri, maio 2013

Tenho má sorte com os lagos. Já me aconteceu várias vezes ir a algum sítio por causa de lago e... não o encontrar. A sério. Por exemplo na Georgia. No caminho de Tbilisi a Kazbegi fica a fortaleza – Ananuri. Paramos para vê-la. Apesar da fortaleza não ter desaparecido, o lago que a cerca – sim. Quase. Secou tanto que sem problema pudemos pôr a nossa tenda no território onde antes era água.  

Ananuri fica também na linha de uma das rotas mais famosas dessa parte do mundo – Estrada Militar que liga Tbilisi com Vladivostok na Russia e que é usada desde antiguidade. A graças à sua localização foi sempre muito importante – leva pela cordilheira do Cáucaso, deixando os humanos passar entre as montanhas altas. É ambos bonita e perigosa: não só no inverno quando está coberta de neve mas em qualquer época do ano. 

7º postal - Em cima do Monte Aragats

Escrito por 15.5.17

Armênia 2014

Para os armênios existe só uma montanha grande – o santo Ararate que majestosamente domina o horizonte de Erevan. É um destes vistos dos quais nunca se esquece, ainda que se o vi só única vez. Contudo hoje em dia o Ararate não está localizado no território arménio e por isso geograficamente também não é o maior pico da Armênia. O maior é outro. Chama-se o Monte Aragats.  

O Monte Aragats é um maciço que fica sozinho numa área plana. É um vulcão extinto cujos quatro picos parecem como se fossem uma coroa feita de pedra. O pico mais alto, norte, alcança os 4 095 metros enquanto o pico mais baixo, sul, tem 3 879 metros. Com uma boa organização do tempo dá para subi-los no mesmo dia. Para os quais gostam de ideias extraordinárias – a melhor opção é ficar para a noite na cratera do Aragats. Quem não gostaria de dormir no coração de vulcão? 

6º postal - Se o flamingo dorme quando come?

Escrito por 8.5.17
Chile, Bolívia 2016

Pode ser também: se o flamingo come quando dorme? É uma pergunta que faço ainda agora, quase um ano depois da viagem á América do Sul. A guia com quem visitámos uma das lagunas do Altiplano disse que os flamingos dedicam mais ou menos 85% do tempo da sua vida a comer. Infelizmente não me lembro se ela mencionou sobre a vida „acordada” ou total.

Não há nada de surpreendente nesta percentagem quando se sabe qual é a alimentação dos flamingos. Consiste em animais e plantas não maiores do que 1 cm. Eu estaria com fome constantemente se comesse algas apenas deste tamanho.

Mas seria possível os flamingos dormirem e comerem ao mesmo tempo? Porque não – os peixes conseguem dormir com olhos abertos então talvez os flamingos possam comer e dormir simultaneamente.

5º postal - Um ouriço

Escrito por 20.12.16

Veliko Tǎrnovo, Bulgaria, setembro 2015 

Quem pensa que o tempo em setembro na Bulgaria está sempre maravilhoso – encontra-se errado. Veliko Tǎrnovo, uma das cidades mais bonitas deste país, estava a chorar quando lá entramos. E não era só lá: chovia por todos os dias de férias em todos os lugares. Não posso dizer que isso facilitaria a nossa viagem de bicicletas pela Bulgaria, mas pronto – má sorte acontece.  

Em Veliko Tǎrnovo encontrei um ouriço. Na muralha. Neste momento lembrei-me das crianças que me ensinaram que não se pode brincar com elas.  

Há muitos anos atrás. Nesta altura estava a ajudar a minha amiga cuidar de crianças durante o verão (num tipo de acampamento). Começamos a falar sobre os animais em inglês. Encorajei-os:  

– Digam-me, digam-me, qual é o nome de animal vocês querem aprender em inglês? – Tive a certeza que eles quereriam saber como se diz cão, gato, cavalo, vaca ou cabra. Mas não. Nada disso. 
– Diga-nos como é que nós podemos dizer ouriço? 
– Humm. Pensem bem. Não preferem vaca ou cabra? 
– Nããão. Só ouriço. 

Não sabia. A minha autoridade ficou destruída. 



4º postal - Vacas na névoa

Escrito por 5.12.16

Polónia, Beskid Żywiecki, 2009   

Garanto-vos que pelo menos uma vez na minha vida estava à frente do meu tempo!   

No ano 2009 o Facebook ainda não era tão popular na Polónia como é agora. Não me lembro de nenhuma “fan page” que seguia nessa altura. Mas com certeza não existia nenhuma que se chamaria Krowy we mgle (em português: Vacas na névoa). Hoje em dia existe e é um das minhas favoritas, especialmente porque não só mostra as vacas na névoa, mas também por outra razão: pelos fragmentos de canções, giros e muito adequados para todas as situações apresentadas nas fotografias. Estes fragmentos são sempre adicionados aos posts.  

Ainda não sabem, mas do que eu mais gosto é do absurdo. E assim vacas na névoa, assinadas pelos textos nostálgicos, encaixam-se perfeitamente no meu sentido de humor. Portanto eu fui a primeira pessoa a tirar a fotografia duma vaca na névoa e depois a “fan page” sob este título foi formada!

3º postal - Entre as mudanças

Escrito por 21.11.16

Crimeia, agosto 2011

Lembro-me muito bem deste verão quando se começou a minha aventura a viajar à boleia. Os meus primeiros destinos foram Ucrânia, Roménia e Moldávia. Infelizmente na Crimeia a boleia não funcionava bem. Estávamos a esperar há horas por alguém que queria parar e levar-nos para outro lugar. Felizmente, os autocarros lá eram muito baratos – até para os estudantes da Polónia – então foi assim como nos passamos pela Crimeia.   

Nesta altura nem pensei que apenas três anos depois iria precisar do visa quando quiser entrar na Crimeia.   

Quando as coisas mudaram, reparei que elas não eram tão interessantes para mim se não tivesse visitado esta região antes. Tudo parece muito mais próximo quando se faz  parte disso, mesmo que apenas pela sua presença num lugar inicialmente desconhecido.  

2º postal - Dom Quixote de la Mancha

Escrito por 14.11.16

Chișinău, Agosto 2011 

Há pessoas que, ao andar numa rua qualquer, prestam atenção aos edifícios, às flores, aos cães... Há também pessoas que nunca prestam a sua atenção a nada porque estão sempre com pressa. Eu sou uma dessas que não pode passar por Dom Quixote sem parar. Especialmente quando encontro a imagem do Engenhoso Fidalgo acidentalmente na... Moldávia.   

Hoje em dia ele não teria uma vida fácil: quem gostaria de contratá-lo com o seu fraco sentido da realidade? Quem acreditaria facilmente nas boas intenções de alguém que corre com uma lança na mão pelo, supermercado , por exemplo?  Ele seria inútil até como artista ou ficaria o “artista de uma obra incompleta” – a necessidade de lutar com moinhos de vento sempre ganharia contra a vontade de finalizar qualquer trabalho.   

Mas, felizmente para nós, a leitura escrita por Cervantes está sempre atual: ambos para estes que gostam de entregar-se aos romances de cavalaria e para outro que preferem ler as paródias deles.

1º postal - via Beatrice Alighieri

Escrito por 7.11.16

Ravenna, março 2010 

Quantas vezes, ao visitar um lugar novo, prestas atenção aos nomes das ruas?  Lê-los e tentas imaginar qual foi a razão de utilizá-los neste sítio?    

Por um lado, o nome de Beatrice não é nada surpreendente em Ravenna – está lá onde se encontra o túmulo de Dante Alighieri, o pai do Renascimento. Por outro lado, a Beatrice, amada de Dante que o levava através do Paraíso na Divina Comédia, nunca se tivesse chamado Alighieri. Além disso, até hoje podemos só suspeitar do apelido verdadeiro do protótipo dela, mas não podemos ter a certeza de quem era a Beatrice ou se ela realmente existiu.   

Para os românticos e estes que gostam de literatura a rua de Beatrice Alighieri sem dúvida será uma boa inspiração.

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