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Manter a casa limpa sem limpar (muito) - um guia para trabalhadores, mães e preguiçosos

Escrito por 23.7.18
Estou nesta situação feliz que apesar de ser trabalhadora e uma pessoa preguiçosa em matéria de arrumar as coisas, também sou mãe. Ter crianças para uma pessoa que detesta limpar é a melhor desculpa de todos os tempos. Basta dizer: "estava a limpar, mas tenho um filho..." e até a maior inimiga ou a vizinha do andar de baixo (esta que olha sempre pela janela e sabe mais sobre a minha vida do que eu própria) e, às vezes, até a sogra param de se queixar da minha falta de vontade em limpar. 

No entanto, o que é que fazer quando o problema se torna mais complexo como, por exemplo, não ter filhos e portanto não poder acusar ninguém? Ou, mais simples, não gostar de limpar, mas ao mesmo tempo não querer viver numa casa que parece estar sempre depois de um furacão? 

Existem várias opções de lidar com isso: 

1. Ter muito dinheiro e contratar um serviço de limpeza
Provavelmente a melhor solução. Mas se lês este texto, nem menos provável é que precisas outras soluções para esta situação.

2. Investir num chão escuro
Não há nada que me arrependeria mais do que não tomar a decisão de mudar o chão claro na cozinha enquanto fizemos a renovação. Por isso cada um pingo (raramente doce), cada um cabelo caído, cada um "nada" tem um tamanho dum elefante adulto. Ainda pior, dum elefante achatado no chão. 

Então se só possível, invistam num chão escuro - é suficiente aspirá-lo de vez em quando para manter as aparências de que está limpo. Sei muito bem o que digo. Todo o resto dos meus quartos têm um chão escuro.

3. Comprar aspirador automático
Ainda melhor seja comprar um aspirador que consiga aspirar sem nossa ajuda. Não é tão preciso como um humano, mas se tivesse que escolher: ter casa completamente suja ou ter casa semi-limpa sem esforço mínimo – com certeza escolheria o segundo. 

4. Manter tudo em caixas
Este é uma solução que exige de nós mais esforço intelectual. Desde logo, é necessário inventar uma boa tática: classificar todas as coisas que possuímos. Em seguida deve-se colocá-las em várias caixas. Recomendavelmente - em armários.

Para quê fazer isso? Para poder não pensar nada-de-nada depois. Automação do processo de arrumar coisas arruma a nossa vida ao mesmo tempo. E deixa-nos pensar sobre prazeres ao mesmo tempo também. 

5. Fazer amizade com o minimalismo...
...e deitar tudo – TUDO – o que realmente não precisamos para sobreviver. 

Seria muito mais fácil limpar casa quando se tem 20 coisas em vez de 2000(0), não seria?

5 razões pelas quais não vale a pena fazer resoluções de ano novo

Escrito por 27.12.17
Fazer dieta, evitar o stress, deixar de fumar (ou de beber café), ser feliz. Mudar de emprego, ser mais activo, ganhar bom dinheiro, passar todo o tempo livre com a família... E tu, qual é a tua lista das resoluçoes de ano novo?

Li num sítio: “Criar metas para o ano novo motiva-nos a mudar, ajuda-nos a ter propósitos e objetivos para correr atrás.” – É uma bonita mentira. Uma mentira por causa só de duas palavras: “ano novo”. Porquê? Porque não vale a pena fazer resoluções de ano novo. Pelo menos por 5 razões:


1. São irreais

Vou repetir: fazer dieta, evitar o stress, deixar de fumar (ou de beber café), ser feliz. Tudo a partir do mesmo dia, do 1 de Janeiro. Com certeza a última coisa que sentisse depois de cortar todos os meus prazeres seria uma felicidade. E a primeira seria o stress se agora me alimento realmente bem e que sem parar penso sobre o café delicioso e aromático.

As resoluções de ano novo têm uma desvantagem básica: são mais os desejos grandes do que possibilidades verdadeiras. E claro: todos nós devemos sonhar, mas para fazer o nosso sonho se tornar realidade, temos que pensar sobre ele em condições de vida real. 


2. Não têm nenhuma justificação

Isso é verdade. Tomas alguma decição e fazes uma resolução só porque alguém tinha decidido 435 anos atrás que o calendário vai parecer como parece até hoje. Qual é a diferença entre 1 de Janeiro e 17 de Outubro? Qual é a diferença entre segunda-feira e quarta-feira? Qual é a diferença entre às 6.41 e às 12.00? Nenhuma. Somos nós que adoramos cortar a ideia abstrata do tempo em milissegundos.


3. Vais realiza-las no máximo por 2 semanas
Se já pensaste porque a tua paciência para realizar as resoluções dura nem mais do que duas semanas e ainda não encontraste nenhuma resposta, vê ponto 2. E ponto 1 também. Sem sentir que fazer isso a partir de ano novo tem sentido e sem plano razoável apenas o masoquista continua a agir. 

Então: se vais agir só por duas semanas, nem vale a pena começar nada.


4. Toda a gente faz resoluções
É sempre assim: quando todos são responsáveis por algo, ninguém se sente responsável. Quando fazes resoluções no mesmo tempo como todos os teus amigos, tios, filhos – como todo o mundo – é muito fácil até não começar a fazer mais nada do que só falar. 

Muito mais fácil será também ir para uma cerveja em vez do ginásio enquanto todos vão tirar o dia “de folga” na sua dieta e na evolução da condição física. A segunda cerveja, a terçeira, quarta e quinta serão apenas formalidades.


5. O novo ano não começa na segunda-feira
Oops. O ano 2018 começa na segunda-feira. Mas afinal vais acordar às 11.13 e esta não será nenhuma hora completa. Só podes realizar os seus planos a partir das 12.00. Contudo ainda resta muita comida depois da festa e alguém tem que a comer. Bem. A dieta deve esperar até amanhã. Até amanhã então podes estar sob stress que não estás na dieta. Portanto podes fumar – é compreensível, estás enervado. A partir de amanhã.

A partir de amanhã... espera um momento. Amanhã vai ser terça-feira, metade de semana. Tens que esperar mais seis dias. Para a próxima segunda-feira.


***
Mas calma, não te preocupes. Se realmente queres mudar alguma coisa, começa as mudanças

Como escrever um texto com jeito? – uma receita

Escrito por 16.11.17
Muitas vezes ouço como os meus alunos dizem: “Esqueça! Não vou escrever nenhum texto. Não tenho jeito para isso.” – e nunca sei se eles realmente pensam desta maneira, se talvez sejam preguiçosos por natureza. Em ambos os casos pode-se dizer que é o jeito deles, mas ambos são também diferentes um do outro. Num primeiro caso trabalha-se com o aluno para ele confiar em si. Num segundo caso é difícil fazer qualquer coisa – quando alguém tem o jeito assim, não vai escrever nada. Vai sempre repetir: „Este assunto é uma chatice! Não me faz jeito escrever coisas tão aborrecidas!”

A verdade é que escrever é como correr, cortar o cabelo, conduzir, programar, cozinhar. Ao início deve-se saber um pouco. Contudo depois, para fazê-lo bem, tem de se praticar tanto quanto possível. Logo se vê, que quanto mais regularmente se escreve, mais regularmente as palavras necessárias estão a jeito.

Para escrever um texto com jeito basta:
  1. Pensar bem sobre o assunto e dar um jeito aos pensamentos, para criar um primeiro  – já arrumado – conspecto do texto.
  2. Ter jeito com cada uma das frases. Ter cuidado com o que se escreve ajuda nem só estar mais preciso no que se está a fazer, mas também aprender mais rapidamente como combinar as palavras.
  3. Depois escrever – olhar por todo o jeito do texto. Às vezes é mais fácil modificar o feitio da escritura quando esta já está feita desde o início até ao fim.


E lembre-se:
  1. Não se esqueça ter a sua caneta e uma folha de papel sempre a jeito.
  2. Trabalha constantemente, mas não pense que num instante alguém, depois ler o seu texto, vai gritar com admiração: Este texto é ao jeito de (aqui insere o nome de qualquer escritor grande)! Não tem importância nenhuma ser semelhante a outra pessoa. O mais importante é ter o seu próprio estilo.
  3. Cada um de nós tem dias melhores e dias piores. Portanto tal como atlets que às vezes dão um jeito á alguma parte do corpo porque estão cansados, um escritor – ás vezes também – escreve um texto que não tem jeito
  4. Não tenha medo dizer: „Este assunto não me dá jeito!”. Não tudo pode ser conveniente para todos.
  5. Pode-se escrever vários tipos dos textos. Por exemplo aqueles que servem em jeito de desculpa, agradecimento, fazer desejos, etc. Não se esqueça sobre esta variedade!

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Agora tenho que pedir vocês para fazerem-me um jeito e escreverem mais exemplos dos expressões ou maneiras de usar a palavra “jeito”!

O bem sempre ganha [exercício de livro]

Escrito por 7.9.17
Estou a trabalhar para enriquecer o vocabulário português e utilizar mais do que dois tempos do indicativo. Portanto as vezes vou publicar textos pouco espertos, mas concentrados num concreto problema linguístico.
Abaixo uma história com uso das expressões idiomáticas que contêm alguma parte de corpo na sua estrutura.


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Era uma vez uma menina bonita, a Madalena. Morava numa cidade grande, exatamente a mesma em que quase ninguém conhece até o seu vizinho mais próximo. Vivia a vida normal: era uma estudante na universidade local e, às tardes, trabalhava num restaurante italiano como a empregada de mesa. Mesmo que não fosse uma pessoa que fala pelos cotovelos, ela prestava atenção a si. Era devido aos seus grandes olhos verdes, que pareciam dizer: Nunca, nunca dou com a língua nos dentes, podem confiar em mim. Portanto todos os clientes do restaurante gostavam mesmo de ser servidos por ela, a saber que a menina não vai fazer ouvidos de mercados, sobre o que eles falam. Apesar de estar muito ocupada, a Madalena sempre conseguia ouvi-los e responder-lhes agradavelmente.

O dono de restaurante apreciava a sua atitude e, como não era unha de fome, pagava-lhe  mais do que aos outros empregados. O que é muito fácil de deduzir, rapidamente os outros começam a ter dor de cotovelo por isso. Um bom exemplo podia ser a melhor amiga da Madalena, que se chamava Alice. Não era menos bonita, mas o olhar dela era muito mais frio e inacessível. Desde o dia quando a Alice tinha descoberto qual era o salário da Madalena, não pregava olho a pensar o que ela poderia fazer para o dono de restaurante ficar de pé atrás com a sua amiga. 

Vale a pena lembrar duma verdade triste: quando o nosso grande amigo mete o nariz na nossa vida, não podemos dormir calmamente a pensar que temos as costas quentes no trabalho. O perigo vem do lado o menos previsível...  

Uma manhã a Alice tinha decidido fingir que a Madalena roubou o dinheiro da caixa do restaurante e depois, a rir-se maliciosamente, saiu de casa. 

Era cedo, o restaurante ainda estava vazio. Mas a caixa – cheia do lucro de ontem. A Alice não quis perder o tempo. Em breve tirou todo o dinheiro e começou a colocá-los na mala da Madalena. Infelizmente para ela, não reparou que um cliente que já tinha a barriga a dar horas, entrou na cozinha e viu tudo. Ainda pior, foi o seu próprio namorado! Em seguida, a Madalena também apareceu na cozinha. E embora a Alice tenha dado o braço a torcer, ninguém acreditou nela. Desta maneira perdeu a amiga, e o namorado. E o trabalho!  

Se impaciência é uma doença?

Escrito por 31.7.17
Tudo dá para se chamar “arte”, cada um de nós pode facilmente publicar um livro, a dislexia é a única culpada por todos os erros ortográficos do mundo. Porque então não classificar a impaciência como uma doença? Desde que me lembro sofro dela e até agora não consegui arranjar nenhum medicamento que me ajude.  

Li uma vez que alguém que não gosta de estar entediado por causa de fazer nada é menos inteligente do que aquele tipo que adora passar o tempo ao deitar-se na cama e balançar nas nuvens. Assim tenho que ser muito estúpida – a única coisa que consigo fazer na posição horizontal por mais do que cinco minutos é dormir.  

Onde fica a ligação entre atividade excessiva e impaciência? É simples: paciência deixaria só esperar por X. Esperar. Mais nada. Impaciência não apenas faz o impaciente irritado. Também força mais atividade – para não pensar sobre isso por o que se está a esperar naquele momento.  

A minha impaciência manifesta-se numa variedade de atividades diárias como:
– fazer ovos mexidos – sempre os preparo num grande fogo. Ninguém, exceto eu, não quer comer isso.
– comprar roupas – talvez seja um homem, mas não posso aguentar andar em torno das lojas só para ver roupas por mais de 40 minutos. Ter roupas é uma outra história: um vestido lindo comprado na primeira loja invariavelmente melhora o humor.

– tomar decisões – penso se a minha decisão está certa... normalmente quando já está tomada.


Podem imaginar-me, a pessoa que se irrita fazer ovos mexidos mais longo do que dois minutos, ao esperar cinco meses para se sentir de volta tão bem como se sentia antes da gravidez. Cinco. Meses. Quando se adiciona mais nove meses da gravidez o resultado é nem mais, nem menos – a eternidade. Nem preciso de explicar o que é que se passou com o meu plano de voltar a correr duas semanas antes do parto...

*** 
Contudo mesmo que o estado permanente de impaciência às vezes é inconveniente, dá uma vantagem indiscutível: a vida cheia de ação, cheia de memórias. Este traço de caráter cansativo não é tão mal.  E vocês? Também sofrem de impaciência?    

A vida cheia de desafios

Escrito por 28.6.17
O mundo gira em torno dos desafios: nádegas firmes num mês, cabelo brilhante em 7 dias, a dieta sem doces por um ano, 52 livros em 52 semanas, ser feliz por 363 dias por ano. É bom pegar pelo menos num e contar publicamente como vai a realização dele.  

Desde que me lembro, agarro os desafios – estava a fazer isso mesmo quando não havia computador em minha casa e quando a ideia das redes sociais aparecia só nas cabeças de fãs de ficção cientifica. Sempre gostei de fazer planos, classificá-los, pô-los em ordem e realizar passo a passo. Sem planos morreria miseravelmente numa multidão de ideias e tentativas de implementá-las todas ao mesmo tempo. Portanto vou defender a ideia dos desafios, ainda que alguém vá dizer que não há dúvida que as minhas coxas não conseguirão emagrecer durante um mês!

A palavra é culpada de tudo

A mesma pessoa pode também perguntar: – Porquê viver sob pressão tão grande? Não seria mais fácil não ter nenhuma obrigação mais do que as que devemos ter na nossa vida?

– Não.

A palavra desafio associa-se muitas vezes a uma dedicação grande. As vezes também a uma ação sem sentido porque, por exemplo, é obvio que para alguém que jamais tenha feito qualquer actividade física e pega no desafio “fica como a Mel B em 3 meses!” é impossível ficar com um corpo atlético num trimestre.

Contudo simultaneamente vale a pena lembrar que o desafio feito dá também uma satisfação. Eu prefiro lembrar do prémio que está a esperar por mim do que as dificuldades (que não podemos contornar). Outra coisa é que o desafio pode dar prazer. Quando se gosta de correr e se pega o desafio „fazer a distância de 500 km em 5 meses”, enfrenta-se uma possibilidade de fazer regularmente – nem mais, nem menos – uma coisa favorita.

Alguma solução pode ser também a substituição do desafio por outra palavra: o plano, o objetivo ou até a ideia para realizar.


Para que pegar no desafio...

Em primeiro lugar – isso é uma boa escola para fortalecer o seu caráter. As vezes tem que se dizer constantemente não, as vezes não é a ultima palavra que se pode utilizar. Além disso, melhora o estado de espírito e construi a auto-confiança.

Então – não há importância nenhuma no fato que depois de três meses de exercícios o meu corpo ainda fica longe do ideal. O mais importante é que tenha conseguido atingir a meta.


...e porque falar sobre isso no Facebook?

É fácil. Desta maneira faz-se um acordo não apenas com si próprio – há muitas pessoas que sabem sobre o desafio e mesmo que se queria desistir, seria um pouco de vergonhoso fazê-lo. Nem todos precisam disso, mas de vez em quando este tipo de apoio pode ajudar. 


Os meus desafios mais satisfatórios são:
1. Passar 28 exames – teóricos e pratico – num curso de guias de montanhas.
2. Correr 1000 km em 6 meses.
3. Saltar à corda quase todos os dias por mais de um ano (que me ajudou muito depois, durante a minha primeira viagem de bicicleta com alforges pelos Alpes).


Portanto ainda que vivamos numa época de moda de desafios, eu estou certa que ela é uma destas modas que podem fazer muito bem.

Brincadeiras para bebés de 0–2 meses

Escrito por 29.5.17
A verdade é dura: o bebé não vai brincar connosco pelo menos nos dois primeiros meses da sua vida. Ele ainda não sabe o que é que significa brincadeira. Ainda não vê muito bem e não está muito interessado no mundo. Está interessado no leite. Somos nós que queremos arranjar o tempo dele, queremos encontrar algumas actividades educativas que vão ajudar no desenvolvimento da nossa criança. 

A minha história é simples e semelhante a milhares de outras. No início, apesar de estar cansada de tudo: da nova situação, da falta de sono, do choro, fanaticamente estava a procurar algumas informações sobre as maneiras de divertir um recém-nascido entre a alimentação e o sono. Não podia aguentar o facto de que ele ficava na sua cama passar o tempo só olhar para frente. De vez em quando encontrei algo, mas a minha pergunta é: Como brincar com o meu filho de 1–8 semanas? permanecia sem resposta. Já consigo responder e eis que vou fazer isso. 

O bebé de 0–2 meses ainda não sabe o que é que se passa no novo mundo. Os seus sentidos desenvolvem-se lentamente para ele poder acostumar-se bem às novas condições. Portanto nem pensem que ele vai reagir ostensivamente a vocês, sorrir muito conscientemente ou agarrar qualquer coisa. As reações dele vão muito menos espetaculares do que vocês esperam. E a brincadeira também vai ser unilateral – nós brincamos com a criança e não ela connosco.

Então a melhor coisa que pode-se fazer é apenas estar presente. Abraçar, beijar –porque o sentido de tacto é o mais forte nesta época. Falar a recém-nascido, mas não desistir da conversa com os outros. A voz é o que se importa, ainda não o sentido. Ás vezes basta a música – cada tipo que vocês gostem. Não se esforcem com Chopin ou Bach se vocês não são os fãs de musica clássica. A criança precisa uma imagem consistente dos pais desde o início. Não menos importante é o silêncio para deixar o bebé arrumar todas de impressões novas na cabeça dele.
Para ajudar a desenvolver o sentido da visão vale a pena pintar dois papeis – um em linhas pretas e o outro em pontos vermelhos – e pendurá-los na cama. Eles aumentam a concentração e deixam ver mais nitidamente. Brinquedos de cor preta, branca e vermelha também serão úteis nesta situação. 

E mais uma coisa. Não devemos esquecer que o bebé tem que aprender literalmente tudo. Portanto ele também pode fazer descobrimentos sem a nossa ajuda. Estar obcecado por estimular o bebé por 24 horas é tão má ideia como deixá-lo sozinho durante todo o dia. Encontrar a proporção correcta – isso é a melhor solução. 

Como ser mãe e não ficar maluca?

Escrito por 5.5.17
Sou mãe. Felizmente a gravidez não pode durar sempre e desde o fevereiro a minha vida tem consistido em leite e fraldinhas. Felizmente já não me sinto como uma mistura de elefante, caracol e boneco de neve (ler mais sobre isso aqui: link). E, também felizmente, já posso verificar as frases mais frequentas ditas pelas mães novas. Aqui são elas:

1. Não durmo.
Prefiro não dormir muito com a boa razão do que dormir 15 horas por dia por 9 meses e sentir-se ainda mais cansada. 

2. As fraldinhas fazem a minha vida! Estou farta de cocó!
Penso que seria mais provável ser mãe e não perceber o comportamento da sua criança do que ser mãe e não ter o conhecimento sofisticado sobre o sistema digestivo dela. Podia escrever um livro sobre este assunto, mas aqui vou poupar-vos os detalhes. Basta dizer segundo do Terêncio: Sou um homem: nada do que é humano me é estranho.  
Contudo as boas fraldinhas não são más. Sempre quando vou dispor os lixos sinto-me muito segura a ter comigo um saco com fraldinhas sujas. É tão pesado como se fosse pedra e por isso pode facilmente tornar-se numa arma. Quando precisar, usá-lo-ei para me defender.



3. A minha vida é cocó da minha criança, não meu. Não tenho tempo para nada!
Gosto da teoria que diz que é impossível amar o bebé demasiado e a outra – que diz que as vezes é saudável deixá-lo chorar para ele saber que não pode ter tudo o que quer – fica muito longe da minha visão do mundo. Todavia tenho a certeza que não há nada de mal em ir à casa de banho sempre quando precisamos disto. Ser aterrorizada por si própria é o pior que pode acontecer no início da maternidade. 
Falta de tempo e um cansaço grande enquanto ter o bebé são factos, mas não tomar banho, não sair de casa, não encontrar-se com amigos, não comer – é também muitas vezes a nossa decisão. A nossa criança não tem culpa nenhuma que estamos desorganizadas. Não digo isso porque eu estou. Pelo contrário. Mas várias vezes ao tomar banho incomoda-me mais o Facebook do que o meu filho.    

4. Não POSSO ter tempo. A minha criança é um rei/uma rainha – tenho que servi-la. 
Lamento muito. O meu filho é apesar tudo um humano. Eu também. E nós ambos precisamos de respeito. 
Há diferença grande entre cuidar da criança e servi-la. Claro que quando menino ou menina ainda é bebé o comportamento das mães que representam destas duas maneiras de pensar é (porque tem que ser) semelhante. O problema começa depois. Então desde início prefiro lembrar-me do único amigo que pode-nos ajudar para que esta relação fique saudável. Ele chama-se compromisso.

5. Ter os filhos significa um grande sacrifício. 
É obvio que a criança humana na idade de 2, 5, 12, 24... meses teria dificuldades em sobreviver sem ajuda de alguém mais velho. Então alguém tem que cuidá-la e a mãe parece ser a melhor opção. Além disso, já foram outros que cuidaram de nós, portanto agora é nossa vez. É natural. 
Por isso definitivamente prefiro a palavra maternidade do que martírio



As vantagens de estar grávida

Escrito por 13.12.16

Aqui estou: uma mistura de elefante (peso), caracol (velocidade) e boneco de neve (forma do corpo). Até recebi o típico chapéu que os bonecos de neve têm sempre nos desenhos animados. Falta apenas a cenoura em vez do nariz. Ou o tronco.  

Mas não está tão mal. Ainda consigo respirar bastante livremente, ainda não tenho dores tão grandes que durariam o dia inteiro (só metade do dia). As vezes também tenho fome!   

Posso facilmente multiplicar os exemplos do lado bom da gravidez:  

  • Estou cheia de energia três ou quatro horas por dia. 
    Nem sempre, mas em comparação ao início -  quatro horas é incrivelmente muito. Quase 17% do dia! 

  • Discussões? Ainda não existem. 
    Não é possível discutir com o bebé - ele ainda não consegue falar. Então quando ele me dá um pontapé, eu vou-me deitar ou dormir. O esquema é simples: é impossível que ambos estejamos muito vivos ao mesmo tempo: ou ele, ou eu. Ele fica com os restantes 83% da atividade diária. 

  • Todos os dias tornam-se numa surpresa grande!
    A situação muda-se dinamicamente: quando já começo a sentir-me acostumada a um desconforto, aparece outro. É difícil adivinhar o que vai chegar, especialmente quando as possibilidades não têm fim. Isso é melhor do que o euromilhões! Apesar de não ganhar, também não gasto dinheiro.  

  • Estou extremamente saudável.
    Durante toda a minha vida nunca fiz tantos exames médicos como tenho que fazer agora. Uma semana sem consulta médica ou sem escola de parto é uma semana perdida. Ultimamente tenho visto os meus amigos com menor frequência do que as enfermeiras da clínica de saúde.  

  • Não gasto dinheiro em roupa.
    Há meio ano que não compro uma única peça de roupa! Não vale a pena - cada dia estou mais gorda. Posso poupar dinheiro e gastá-lo nos puzzles, nas jóias ou, pelo menos, nas fraldinhas...

  • Estou muito mais sensível do que estava antigamente.
    Derramo lágrimas em média 3 vezes por dia. As razões podem ser variáveis: ao ver o céu azul, ao ver uma joaninha pequena andando pela janela, ao pensar sobre o facto de que o meu marido vai desfrutar do jantar que lhe vou preparar... Não é romântico?   

  • Tenho muito tempo para aproveitar da vida.
    Eu costumava correr regularmente por 10 km, andava de bicicleta nas montanhas de toda Europa, caminhava nas montanhas por 24 horas sem parar, trabalhava muito. Que chatice! Agora - durante as minhas 3-4 horas do dia - dou um passeio. Lentamente, passo a passo, a entrar em todas as casas de banho que encontro no caminho. Aproveito o sol, aproveito a vida. Não estou com pressa nenhuma porque não tenho força para me despachar.  


Pensem? Ser um elefante misturado com caracol e boneco de neve também pode ter vantagens. Em Fevereiro voltarei a estar em forma e todas as dores pequeninas começarão a estar nos problemas grandes de novo.  

Na maneira fraca

Escrito por 13.10.16


Quem de nós não gosta de ler os textos bem escritos: engraçados, corretos e, além disso, interessantes? Os textos viciantes, cheios de humor brilhante nos quais o jogo da linguagem é comum?

Aqui não encontram nada disso. Desculpem.

Sei escrever. E faço-o bem. Mas em polaco. O português é outra historia.

Lembram-se dos tempos quando eram as crianças? Já tinham conhecido imensas palavras e podiam falar sem parar. Contudo isso o que construíam eram apenas estruturas básicas, não muito sofisticadas e abstratas. Tudo era muito direto. O conhecimento dos contextos mais avançados, da realidade linguistica ligada à vida social e cultural veio mais tarde. 

Encontro-me mais ou menos neste ponto. Entre jardim de infância e escola primária. Mas – chegou a hora de crescer.

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