6º postal - Se o flamingo dorme quando come?

Escrito por 8.5.17
Chile, Bolívia 2016

Pode ser também: se o flamingo come quando dorme? É uma pergunta que faço ainda agora, quase um ano depois da viagem á América do Sul. A guia com quem visitámos uma das lagunas do Altiplano disse que os flamingos dedicam mais ou menos 85% do tempo da sua vida a comer. Infelizmente não me lembro se ela mencionou sobre a vida „acordada” ou total.

Não há nada de surpreendente nesta percentagem quando se sabe qual é a alimentação dos flamingos. Consiste em animais e plantas não maiores do que 1 cm. Eu estaria com fome constantemente se comesse algas apenas deste tamanho.

Mas seria possível os flamingos dormirem e comerem ao mesmo tempo? Porque não – os peixes conseguem dormir com olhos abertos então talvez os flamingos possam comer e dormir simultaneamente.

Como ser mãe e não ficar maluca?

Escrito por 5.5.17
Sou mãe. Felizmente a gravidez não pode durar sempre e desde o fevereiro a minha vida tem consistido em leite e fraldinhas. Felizmente já não me sinto como uma mistura de elefante, caracol e boneco de neve (ler mais sobre isso aqui: link). E, também felizmente, já posso verificar as frases mais frequentas ditas pelas mães novas. Aqui são elas:

1. Não durmo.
Prefiro não dormir muito com a boa razão do que dormir 15 horas por dia por 9 meses e sentir-se ainda mais cansada. 

2. As fraldinhas fazem a minha vida! Estou farta de cocó!
Penso que seria mais provável ser mãe e não perceber o comportamento da sua criança do que ser mãe e não ter o conhecimento sofisticado sobre o sistema digestivo dela. Podia escrever um livro sobre este assunto, mas aqui vou poupar-vos os detalhes. Basta dizer segundo do Terêncio: Sou um homem: nada do que é humano me é estranho.  
Contudo as boas fraldinhas não são más. Sempre quando vou dispor os lixos sinto-me muito segura a ter comigo um saco com fraldinhas sujas. É tão pesado como se fosse pedra e por isso pode facilmente tornar-se numa arma. Quando precisar, usá-lo-ei para me defender.



3. A minha vida é cocó da minha criança, não meu. Não tenho tempo para nada!
Gosto da teoria que diz que é impossível amar o bebé demasiado e a outra – que diz que as vezes é saudável deixá-lo chorar para ele saber que não pode ter tudo o que quer – fica muito longe da minha visão do mundo. Todavia tenho a certeza que não há nada de mal em ir à casa de banho sempre quando precisamos disto. Ser aterrorizada por si própria é o pior que pode acontecer no início da maternidade. 
Falta de tempo e um cansaço grande enquanto ter o bebé são factos, mas não tomar banho, não sair de casa, não encontrar-se com amigos, não comer – é também muitas vezes a nossa decisão. A nossa criança não tem culpa nenhuma que estamos desorganizadas. Não digo isso porque eu estou. Pelo contrário. Mas várias vezes ao tomar banho incomoda-me mais o Facebook do que o meu filho.    

4. Não POSSO ter tempo. A minha criança é um rei/uma rainha – tenho que servi-la. 
Lamento muito. O meu filho é apesar tudo um humano. Eu também. E nós ambos precisamos de respeito. 
Há diferença grande entre cuidar da criança e servi-la. Claro que quando menino ou menina ainda é bebé o comportamento das mães que representam destas duas maneiras de pensar é (porque tem que ser) semelhante. O problema começa depois. Então desde início prefiro lembrar-me do único amigo que pode-nos ajudar para que esta relação fique saudável. Ele chama-se compromisso.

5. Ter os filhos significa um grande sacrifício. 
É obvio que a criança humana na idade de 2, 5, 12, 24... meses teria dificuldades em sobreviver sem ajuda de alguém mais velho. Então alguém tem que cuidá-la e a mãe parece ser a melhor opção. Além disso, já foram outros que cuidaram de nós, portanto agora é nossa vez. É natural. 
Por isso definitivamente prefiro a palavra maternidade do que martírio



5º postal - Um ouriço

Escrito por 20.12.16

Veliko Tǎrnovo, Bulgaria, setembro 2015 

Quem pensa que o tempo em setembro na Bulgaria está sempre maravilhoso – encontra-se errado. Veliko Tǎrnovo, uma das cidades mais bonitas deste país, estava a chorar quando lá entramos. E não era só lá: chovia por todos os dias de férias em todos os lugares. Não posso dizer que isso facilitaria a nossa viagem de bicicletas pela Bulgaria, mas pronto – má sorte acontece.  

Em Veliko Tǎrnovo encontrei um ouriço. Na muralha. Neste momento lembrei-me das crianças que me ensinaram que não se pode brincar com elas.  

Há muitos anos atrás. Nesta altura estava a ajudar a minha amiga cuidar de crianças durante o verão (num tipo de acampamento). Começamos a falar sobre os animais em inglês. Encorajei-os:  

– Digam-me, digam-me, qual é o nome de animal vocês querem aprender em inglês? – Tive a certeza que eles quereriam saber como se diz cão, gato, cavalo, vaca ou cabra. Mas não. Nada disso. 
– Diga-nos como é que nós podemos dizer ouriço? 
– Humm. Pensem bem. Não preferem vaca ou cabra? 
– Nããão. Só ouriço. 

Não sabia. A minha autoridade ficou destruída. 



As vantagens de estar grávida

Escrito por 13.12.16

Aqui estou: uma mistura de elefante (peso), caracol (velocidade) e boneco de neve (forma do corpo). Até recebi o típico chapéu que os bonecos de neve têm sempre nos desenhos animados. Falta apenas a cenoura em vez do nariz. Ou o tronco.  

Mas não está tão mal. Ainda consigo respirar bastante livremente, ainda não tenho dores tão grandes que durariam o dia inteiro (só metade do dia). As vezes também tenho fome!   

Posso facilmente multiplicar os exemplos do lado bom da gravidez:  

  • Estou cheia de energia três ou quatro horas por dia. 
    Nem sempre, mas em comparação ao início -  quatro horas é incrivelmente muito. Quase 17% do dia! 

  • Discussões? Ainda não existem. 
    Não é possível discutir com o bebé - ele ainda não consegue falar. Então quando ele me dá um pontapé, eu vou-me deitar ou dormir. O esquema é simples: é impossível que ambos estejamos muito vivos ao mesmo tempo: ou ele, ou eu. Ele fica com os restantes 83% da atividade diária. 

  • Todos os dias tornam-se numa surpresa grande!
    A situação muda-se dinamicamente: quando já começo a sentir-me acostumada a um desconforto, aparece outro. É difícil adivinhar o que vai chegar, especialmente quando as possibilidades não têm fim. Isso é melhor do que o euromilhões! Apesar de não ganhar, também não gasto dinheiro.  

  • Estou extremamente saudável.
    Durante toda a minha vida nunca fiz tantos exames médicos como tenho que fazer agora. Uma semana sem consulta médica ou sem escola de parto é uma semana perdida. Ultimamente tenho visto os meus amigos com menor frequência do que as enfermeiras da clínica de saúde.  

  • Não gasto dinheiro em roupa.
    Há meio ano que não compro uma única peça de roupa! Não vale a pena - cada dia estou mais gorda. Posso poupar dinheiro e gastá-lo nos puzzles, nas jóias ou, pelo menos, nas fraldinhas...

  • Estou muito mais sensível do que estava antigamente.
    Derramo lágrimas em média 3 vezes por dia. As razões podem ser variáveis: ao ver o céu azul, ao ver uma joaninha pequena andando pela janela, ao pensar sobre o facto de que o meu marido vai desfrutar do jantar que lhe vou preparar... Não é romântico?   

  • Tenho muito tempo para aproveitar da vida.
    Eu costumava correr regularmente por 10 km, andava de bicicleta nas montanhas de toda Europa, caminhava nas montanhas por 24 horas sem parar, trabalhava muito. Que chatice! Agora - durante as minhas 3-4 horas do dia - dou um passeio. Lentamente, passo a passo, a entrar em todas as casas de banho que encontro no caminho. Aproveito o sol, aproveito a vida. Não estou com pressa nenhuma porque não tenho força para me despachar.  


Pensem? Ser um elefante misturado com caracol e boneco de neve também pode ter vantagens. Em Fevereiro voltarei a estar em forma e todas as dores pequeninas começarão a estar nos problemas grandes de novo.  

4º postal - Vacas na névoa

Escrito por 5.12.16

Polónia, Beskid Żywiecki, 2009   

Garanto-vos que pelo menos uma vez na minha vida estava à frente do meu tempo!   

No ano 2009 o Facebook ainda não era tão popular na Polónia como é agora. Não me lembro de nenhuma “fan page” que seguia nessa altura. Mas com certeza não existia nenhuma que se chamaria Krowy we mgle (em português: Vacas na névoa). Hoje em dia existe e é um das minhas favoritas, especialmente porque não só mostra as vacas na névoa, mas também por outra razão: pelos fragmentos de canções, giros e muito adequados para todas as situações apresentadas nas fotografias. Estes fragmentos são sempre adicionados aos posts.  

Ainda não sabem, mas do que eu mais gosto é do absurdo. E assim vacas na névoa, assinadas pelos textos nostálgicos, encaixam-se perfeitamente no meu sentido de humor. Portanto eu fui a primeira pessoa a tirar a fotografia duma vaca na névoa e depois a “fan page” sob este título foi formada!

Com tecnologia do Blogger.